Jovem cria curso profissionalizante e banda marcial na comunidade em que nasceu em Paulista, no Grande Recife


Davi Vinícius organiza ações sociais na comunidade do Tururu, que nasceu, desde os 15 anos. Davi Vinícius, fundador do Projeto Minha Comunidade Melhor
Iris Costa/g1
Receber o bem e devolver para o mundo. Foi com esse pensamento que Davi Vinícius, natural da comunidade do Tururu, em Paulista, no Grande Recife, criou o Projeto Minha Comunidade Melhor. Unindo arte e educação, a iniciativa montou uma banda marcial e um curso profissionalizante para os moradores.
✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 PE no WhatsApp.
Davi nasceu, cresceu e viveu a vida inteira no Tururu. Conseguiu entrar na universidade e se formar em administração com a ajuda de um projeto social do qual fez parte ainda na adolescência.
Consciente da transformação que vivenciou na própria vida, quis fazer o mesmo por outras pessoas da comunidade. As primeiras atividades começaram quando Davi tinha apenas 15 anos.
Inicialmente, tratavam-se de ações pontuais, como a distribuição de cestas básicas e refeições para pessoas em insegurança alimentar e situação de rua. Para isso ele precisava da colaboração dos outros moradores do Tururu.
“As pessoas tinham aquele receio: ‘Será que é isso mesmo? Será que ele está fazendo realmente na intenção de fazer o bem?’, por se tratar de uma comunidade muito carente e com muita criminalidade, as pessoas sempre ficam com pé atrás”, contou Davi.
Os moradores da comunidade do Tururu abraçaram a iniciativa e as ações solidárias se tornaram rotina ao longo de uma década, mas Davi sentia que precisava fazer algo que pudesse gerar impacto a longo prazo. Foi a partir daí que surgiu a ideia de criar um curso profissionalizante.
“Como um projeto social, a gente precisava lutar pela transformação da comunidade. O objetivo da campanha profissionalizar é tirar as pessoas do comodismo, é lutar pelos jovens e até adultos da comunidade que ainda estão perdidos no que fazer da vida”, explicou.
Para colocar a ideia em prática, Davi entrou em com a Escola Estadual São José e convidou um amigo de infância, também formado em administração, para ministrar as aulas junto com ele.
Há pouco mais de um ano, o Projeto Minha Comunidade Melhor oferece os cursos de auxiliar administrativo e logística (veja vídeo abaixo).
Matheus se uniu ao projeto para dar aulas de auxiliar administrativo e logística
“É muito bom receber o feedback quando eles vão para uma entrevista de emprego, quando eles conseguem resolver alguma coisa Aquece o coração saber que o meu trabalho e a minha dedicação estão sendo retribuídos de alguma forma, principalmente no local onde eu moro”, disse Matheus Lima, professor voluntário do projeto.
Bruna Maria, de 35 anos, é uma das alunas do curso de auxiliar administrativo. Ela trabalha como cuidadora de idosos atualmente, mas espera colocar o curso em prática e mudar de área quando tiver oportunidade.
“Eu fiquei sabendo do curso através das redes sociais e, desde então, é muito prazeroso para mim, porque é uma oportunidade. São portas abertas tanto para jovens quanto para adultos em vulnerabilidade. Esse projeto é muito importante para toda a comunidade”, compartilhou Bruna.
Banda Marcial Som de Esperança
Geanne Soares, professora de música
Iris Costa, g1
Além da demanda por profissionalização, Davi sentiu que faltavam iniciativas de fomento à cultura na comunidade do Tururu.
A ideia inicial para preencher essa lacuna foi a criação de uma orquestra, mas, por conta da aproximação do 7 de setembro, a escolha foi pela formação de uma banda marcial para desfilar pelas ruas da comunidade.
A Banda Marcial Som de Esperança se tornou a segunda atividade permanente o Projeto Minha Comunidade Melhor. Uma das participantes é a professora de música Geanne Soares. Ela era voluntária nas ações sociais e se juntou ao grupo musical para tocar flauta transversa.
“Eu só tocava na igreja, então eu sentia falta de tocar outras coisas e também não só ensinar. A música, além de fazer com que a gente se divirta, trabalha nossa questão emocional, motora, além da socialização, porque a música traz essa interação entre as pessoas”, comentou Geanne.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
Adicionar aos favoritos o Link permanente.