Lula disse estar preocupado com crise entre Venezuela e Guiana e defendeu diálogo entre países em telefonema com Maduro


Tensão entre Venezuela e Guiana é causada por disputa territorial pela região de Essequibo, equivalente 70% do território guianense e com reserva vasta de petróleo. Venezuela x Guiana: Entenda em 5 pontos disputa por Essequibo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse estar preocupado com crise entre Venezuela e Guiana e defendeu o diálogo entre os dois países sul-americanos em telefonema com Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, realizado neste sábado (9).
A tensão entre Venezuela e Guiana é causada por uma disputa territorial pela região denominada Essequibo. A região hoje faz parte do território da Guiana, mas é reivindicado pelo governo de maduro.
Equivalente a cerca de 70% do território guianense, o local possui reserva vasta de petróleo e é motor para renascimento econômico do país. Entenda a disputa.
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INFOGRÁFICO: como é a fronteira do Brasil com a Venezuela e com a Guiana
“O presidente Lula transmitiu a crescente preocupação dos países da América do Sul sobre a questão do Essequibo. Expôs os termos da declaração sobre o assunto aprovada na Cúpula do Mercosul e assinada por Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Colômbia, Peru, Equador e Chile. Recordou a longa tradição de diálogo na América Latina e que somos uma região de paz”, disse o governo brasileiro em comunicado à imprensa.
De acordo com o Palácio do Planalto, Lula sugeriu a Maduro que o presidente da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, trate do tema com Venezuela e Guiana.
O presidente, ainda de acordo com o governo, também reiterou que o Brasil está a disposição para apoiar e acompanhar essas iniciativas de diálogos para a resolução da questão territorial.
A conversa entre Lula e Maduro aconteceu na manhã deste sábado, por volta das 10h, e durou cerca de meia hora.
Presidentes Lula e Maduro durante encontro em Brasília, em maio de 2023.
Ueslei Marcelino/Reuters
Maduro diz que Guiana tem que conversar
Também neste sábado, após a conversa com Lula, pela primeira vez desde o início da tensão entre Venezuela e Guiana, o presidente venezuelano Nicolás Maduro suavizou o discurso sobre Essequibo e disse que os dois países terão que sentar e conversar sobre o território.
Neste sábado (9), em uma publicação no X (antigo Twitter), Maduro escreveu: “A Guiana e a ExxonMobil terão que sentar e conversar conosco, o Governo da República Bolivariana da Venezuela. De coração e alma, queremos Paz e compreensão (…)”.
A ExxonMobil é uma empresa petrolífera norte-americana e uma das maiores do mundo, que extrai petróleo na Guiana.
A fala vem após o presidente venezuelano realizar, apesar da proibição da Corte Internacional de Justiça, um plebiscito sobre a anexação do território do país vizinho. E, após a votação, divulgar um novo mapa que considera Essequibo como parte do território venezuelano.
Venezuelanos aprovaram anexação
Os venezuelanos rejeitaram, em referendo np domingo (3), a jurisdição da Corte Internacional de Justiça sobre a longa disputa territorial do país com a vizinha Guiana — e apoiaram a criação de um novo estado na região de Essequibo. Segundo a autoridade eleitoral local, mais de 95% dos eleitores aprovaram as cinco questões elaboradas pelo governo.
A corte havia proibido a Venezuela de tomar qualquer medida que pudesse mudar a situação na área, mas o governo do presidente Nicolás Maduro avançou com um referendo “consultivo” de cinco perguntas.
O referendo tinha apenas caráter consultivo, mas na sexta-feira (8), Maduro assinou seis decretos para incorporar Essequibo e transformar o território guianense em um estado venezuelano.
A iniciativa ocorreu no dia seguinte ao anúncio de que os Estados Unidos realizariam exercícios militares na Guiana, inclusive em Essequibo, o que a Venezuela interpretou como uma “provocação”.
Pela primeira vez, Maduro deu um horizonte para os planos serem levados adiante: “2030, ou mais”, “para cumprir o mandato do povo que votou pelo sim”. Foi uma referência ao plebiscito realizado no último domingo, com participação de metade dos eleitores da Venezuela, em que a anexação de Essequibo foi aprovada.
Leia a íntegra da nota do governo brasileiro:
“O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na manhã deste sábado (9/12), telefonema do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O presidente Lula transmitiu a crescente preocupação dos países da América do Sul sobre a questão do Essequibo. Expôs os termos da declaração sobre o assunto aprovada na Cúpula do Mercosul e assinada por Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Colômbia, Peru, Equador e Chile. Recordou a longa tradição de diálogo na América Latina e que somos uma região de paz.​
Fez um chamado ao diálogo e sugeriu que o presidente de turno da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Ralph Gonsalves, trate do tema com as duas partes. O presidente Lula reiterou que o Brasil está a disposição para apoiar e acompanhar essas iniciativas.
Lula ressaltou que é importante evitar medidas unilaterais que levem a uma escalada da situação.”
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