Ministério Público aponta inconstitucionalidade e pede suspensão de voluntários da segurança em Florianópolis

Promotoria deu prazo de 48 horas para prefeitura interromper atuação de agentes comunitários

Abordagem de segurança voluntária em Florianópolis vira alvo do MP — Foto: Redes sociais/ Reprodução

O Ministério Público de Santa Catarina recomendou que a Prefeitura de Florianópolis suspenda imediatamente a atuação dos chamados Agentes de Segurança e Ordem Pública Comunitários, voluntários criados por lei municipal para auxiliar em ações de segurança na cidade.

A recomendação foi emitida pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo controle externo da atividade policial. O órgão apontou possíveis vícios de inconstitucionalidade na lei municipal que instituiu o programa e determinou prazo de 48 horas para que o município interrompa as atividades.

MP diz que voluntários exercem função de polícia

De acordo com o Ministério Público, vídeos divulgados nas redes sociais mostram integrantes do programa realizando abordagens consideradas intimidatórias na região central da capital, com comportamentos semelhantes ao policiamento ostensivo.

Para a Promotoria, essas atitudes extrapolam as atribuições previstas para o voluntariado e se aproximam de funções típicas de segurança pública, que pela Constituição devem ser exercidas apenas por órgãos oficiais e servidores investidos em cargo público.

Irregularidades apontadas pelo MP

O documento do Ministério Público cita uma série de pontos considerados problemáticos no modelo adotado pela prefeitura:

  • criação de agentes para atividades operacionais sem concurso público;

  • possível invasão da competência da União para legislar sobre segurança pública;

  • pagamento de valores entre R$ 125 e R$ 250 por turno, o que descaracterizaria o voluntariado;

  • previsão de até 300 voluntários, número superior ao efetivo da própria Guarda Municipal.

Segundo o MP, a continuidade do programa pode gerar uma situação potencialmente inconstitucional e representar risco à regularidade do serviço público de segurança.

Prefeitura diz que programa continuará

Em resposta, a prefeitura informou que não pretende suspender o programa. A administração municipal argumenta que a lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores e que os voluntários atuam apenas em ações de orientação e apoio comunitário, sem poder de polícia.

O município também afirmou que eventuais condutas inadequadas serão apuradas e que os voluntários não substituem a Guarda Municipal nem as forças de segurança.

Caso a recomendação não seja atendida, o Ministério Público poderá adotar medidas judiciais, incluindo uma ação direta de inconstitucionalidade para questionar a lei que criou o programa.

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