Caso Eliel: Trio acusado de matar advogado em Mossoró vai a júri popular nesta terça (12) em Natal


TJRN decidiu por transferir o julgamento de Mossoró para Natal em razão da comoção popular na cidade. Crime aconteceu no dia 9 de abril de 2022. Eliel Ferreira Cavalcanti, de 25 anos, foi morto a tiros em Mossoró neste domingo
Arquivo pessoal
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) marcou para terça-feira (12), em Natal, o júri popular dos três acusados pela morte do advogado Eliel Ferreira Cavalcante Júnior, de 25 anos, assassinado no dia 9 de abril do ano passado em Mossoró, no Oeste potiguar. “Esperamos que eles paguem pelo crime que cometeram”, disse o pai da vítima.
Em conversa com a reportagem do g1 RN, Eliel Cavalcante, pai da vítima, afirma que desde o crime a família tem passado por inúmeros transtornos e aguarda pelo encerramento do processo.
“Neste período de um ano e oito meses nossa família tem passado por momentos muito difíceis, inclusive mudamos de cidade para tentar um ambiente diferente. Voltar ao que era antes não volta mais, esperamos que com o julgamento essa dor seja amenizada”, disse.
Na noite de 9 de abril de 2022, Eliel Cavalcante Júnior morreu após ser vítima de pelo menos nove disparos de arma de fogo. Ele estava conversando com seu namorado, Lucas Emanoel Pereira, na calçada do condomínio em que Lucas morava no bairro Boa Vista, em Mossoró.
Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público do RN apresentou denúncia contra Ialamy Gonzaga, Francisco de Assis Ferreira da Silva e Josemberg Alexandre da Silva pelo homicídio qualificado contra Eliel Júnior e a tentativa de homicídio qualificado contra Lucas Emanoel. Entre os qualificadores, o meio que dificultou a defesa da vítima e o motivo torpe.
“A forma como esse processo tem se arrastado é muito tenso, muito deprimente. Minha família chora todos os dias, minha esposa, minha filha e eu precisamos passar por acompanhamento psicológico. A nossa expectativa é que, com os réus condenados, a nossa ansiedade possa ser um pouco aliviada”, disse o pai da vítima.
O g1 RN tentou contato com Lucas Emanoel, vítima da tentativa de homicídio, mas foi informado por seu advogado que ele não concede entrevistas, em razão de estresse pós-traumático.
Mudança de local
Em julho deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte decidiu, por unanimidade, transferir o júri popular dos três acusados pela morte de Eliel Júnior e pela tentativa contra Lucas Emanoel, da comarca de Mossoró, cidade onde aconteceu o crime, para a comarca de Natal.
O pedido foi feito pela defesa dos réus, que alegou a grande repercussão da mídia local e o envolvimento da sociedade mossoroense como fatores para uma possível decisão influenciada no julgamento. Após parecer favorável por parte do juiz Vagnos Kelly, o mesmo que determinou que o caso fosse levado a júri popular, foi decidido que o caso seria decidido no Fórum Municipal de Natal.
No entanto, a decisão pela mudança não agradou à família de Eliel Júnior, e o pai da vítima lamentou a transferência do local do julgamento. “Não concordamos com essa mudança de local. O assassinato do meu filho aconteceu em Mossoró, a cidade entrou em clamor por Justiça, então o julgamento deveria ser realizado lá”.
Apesar da alteração da cidade, Carlos Firmino, advogado que representa a defesa de Eliel e de Lucas no processo, aponta que a expectativa se mantém para que os três sejam condenados pelos crimes.
“A mudança não afeta o conteúdo do processo, existem provas contundentes contra eles. Acreditamos que a sociedade natalense vá proferir um veredito condenatório”, explicou o advogado.
Sobre a transferência de Mossoró para Natal, o advogado Carlos Dantas, que representa Ialamy Gonzaga, autor dos disparos, afirma que a mudança de comarca deverá promover um julgamento considerado justo.
“Ficou evidenciado pelas provas juntadas e diligências feitas, que a comarca de Mossoró se encontra evidentemente parcial, levar o júri para Natal é fazer com que seja respeitado os direitos fundamentais e um julgamento justo que a nossa Constituição prevê para todos e todas”, falou.
O crime
Ialamy Gonzaga, Francisco de Assis e Josemberg Alexandre irão responder pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. Na investigação, a Polícia Civil aponta que Eliel e Lucas podem ter sido confundidos com ladrões.
Por volta das 21h40 do dia 9 de abril de 2022, Eliel Ferreira Cavalcante Júnior, de 25 anos, estava com seu namorado, Lucas Emanoel Pereira, na calçada do condomínio em que ele morava, na rua Francisco Bernardo, no bairro Boa Vista, em Mossoró.
Neste momento, dois homens identificados como Francisco de Assis Ferreira da Silva e Josemberg Alexandre da Silva, abordaram o casal. De acordo com a investigação da Polícia Civil, por acreditar ser um assalto, Eliel e Lucas jogaram pertences para dentro do condomínio e tentam se esquivar.
Do outro lado da rua, após ser acionado por Francisco e Josemberg, Ialamy Gonzaga, conhecido como Júnior Preto, que estava armado com uma pistola 9 milímetros, efetuou dois tiros, um contra Eliel e outro contra Lucas.
O casal correu para fugir do local para escapar dos tiros. Enquanto Lucas foi para um lado da rua, Eliel foi pelo lado contrário onde foi perseguido pelo trio. Aos gritos de “pega ladrão” por parte dos réus, um popular segurou Eliel e mais tiros foram disparados.
Segundo a defesa de Eliel, ele foi atingido por nove tiros. Um tiro atingiu a perna do popular que o rendeu no momento da corrida e os outros dois foram efetuados contra os dois após a abordagem, totalizando 12 tiros, capacidade total de munições da pistola que estava com Ialamy.
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