Apneia de tela: entenda como uma simples notificação no celular pode alterar ritmo da respiração


Distúrbio afeta qualidade do sono, saúde mental e física. Confira seis dicas para evitar problema. Os brasileiros passam, em média, 9h por dia utilizando celulares e outros aparelhos eletrônicos.
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‘Plim’. Este é o barulho que ouvimos do celular ao receber uma notificação. Ou vemos um balão com o número de notificações na tela inicial 📱💬.
No ato de destravar o celular, abrir o aplicativo e ler a mensagem, algumas pessoas alteram o ritmo da respiração ou param até de respirar, sem nem perceber, para se concentrar melhor. Já aconteceu isso com você?
De acordo com uma pesquisa internacional, os brasileiros passam, em média, 9h por dia utilizando celulares e outros aparelhos eletrônicos. A mudança do ritmo da respiração ao consumir conteúdo digital, a exaustão e a perda de qualidade do sono são alguns dos sintomas da apneia de tela.
O distúrbio é configurado pela interrupção do ritmo respiratório de uma pessoa enquanto ela está consumindo conteúdo em telas digitais, como destaca o diretor clínico do Hospital Albert Einstein, Marcelo Fouad Rabahi.
“A apneia de tela é um fenômeno real que ocorre quando uma pessoa está diante de qualquer tipo de estímulo e o sistema nervoso busca decifrar se aquele estímulo representa uma ameaça ou não”, diz o médico.
Sintomas da apneia de tela
O distúrbio pode desencadear mudanças fisiológicas, como respiração mais superficial e desaceleração da frequência cardíaca, para ajudar na concentração, diz o médico Marcelo Fouad Rabahi, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG).
As consequências variam desde crises de enxaqueca até dificuldade para relaxamento, como afirma o psicólogo clínico comportamental Jayme Rabelo.
De acordo com os profissionais, a condição pode afetar:
Qualidade do sono 💤
Intensificação ou geração de crises de enxaqueca 🧠
Dificuldade na concentração 📚
Dificuldade para relaxamento 🛌
Saúde mental 🤯
Saúde física 🤕
No trabalho, nos estudos ou no lazer, se este estado crônico de ameaça for ativado o dia todo, na maioria dos dias, pode levar à exaustão, mesmo após um dia que não foi estressante, alertam os especialistas. O uso em excesso de celulares, tablets e computadores antes de dormir pode perturbar os padrões de sono, mas também a saúde mental.
“O vício nas redes sociais pode estar ligado a sentimentos de isolamento, depressão e ansiedade”, diz Marcelo Fouad Rabahi,.
Os efeitos a longo prazo, que ainda não podem ser catalogados, são uma das preocupações do psicólogo Jayme Rabelo. “A gente ainda não sabe o quão vai ser danoso a 50, a 60 anos, de uma geração ou duas para outra”, diz.
Dicas para evitar o problema
Adotar “apagões digitais” antes de dormir 📵
Limitar o tempo de tela ⌛
Utilizar telas maiores: aumento do campo visual pode diminuir demanda do sistema nervoso 🖥️
Usar dispositivos com telas não brilhosas, que tenham tela fosca 📱
Pausas regulares no trabalho: sem trocar da tela do computador para a do celular ☕
Além disso, uma das recomendações do psicólogo Jayme Rabelo é procurar ajuda de psiquiatras ou psicólogos para auxiliar na melhora da qualidade de vida e se aconselhar sobre o uso de telas.
“Precisamos estar atentos e informados sobre os desafios do mundo moderno. A apneia de tela é um deles, uma ameaça invisível que merece nossa atenção. Com a devida conscientização e mudanças em nossos hábitos, podemos encontrar um equilíbrio saudável entre nossa vida digital e nossa saúde física e mental”, diz o médico Marcelo Fouad Rabahi.
Condição não catalogada pela OMS
Inventor do celular critica vício aos aparelhos
Por ser uma condição recente, a apneia de tela ainda não consta na CID, que é a sigla para Classificação Internacional de Doenças, criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A CID, segundo a OMS, “mapeia a condição humana do nascimento à morte: qualquer ferimento ou doença que encontramos na vida – e qualquer coisa que pode nos levar à morte – está codificada”. Por meio do uso da CID que o médico informa, com a autorização do paciente, seus sintomas, queixas ou doenças no atestado médico.
Além disso, a condição também não aparece no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o MSD-5, organizado pela Associação Americana de Psiquiatria. O documento é utilizado para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais.
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