Flávio Bolsonaro afirma que Brasil “perdeu soberania” e pede que Itália não extradite Carla Zambelli

Em discurso durante um evento do partido de direita italiano A Liga, neste domingo (21), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o Brasil “perdeu a sua soberania” e classificou o Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “corte de cassação” que persegue adversários da esquerda. O encontro, promovido em Roma, contou com a presença do vice-premiê Matteo Salvini, líder da legenda.

Segundo o senador, a atuação de magistrados da corte — sem citá-los diretamente — seria comparável à de governos autoritários.

“O Brasil tem um ministro da nossa corte de cassação que persegue toda a direita. Ele foi sancionado pela Lei Magnitsky, pelo presidente Donald Trump. É o mesmo que discutiu com uma família no aeroporto de Roma e ele próprio o julgou por atentado contra o Estado Democrático de Direito”, afirmou, em referência velada ao ministro Alexandre de Moraes.

Ao público presente, Flávio também disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado “por ato antidemocrático, apenas por criticar o Sistema Eleitoral e fazer discursos contra a esquerda corrupta”. E completou: “Assim como os ditadores Maduro, na Venezuela, e Daniel Ortega, na Nicarágua, fizeram com seus opositores políticos.”

Defesa de Zambelli e apelo à Itália

Durante a fala, o senador pediu que o governo italiano não aceite os pedidos de extradição de Carla Zambelli (PL-SP) e do ex-assessor do TSE, Eduardo Tagliaferro. Ambos estão no país europeu e são alvos de ordens de prisão expedidas pelo Supremo brasileiro.

 

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Zambelli foi condenada a mais de 15 anos de prisão por dois processos distintos: um deles, de maio deste ano, por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); o outro, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma, às vésperas das eleições de 2022, em São Paulo. A parlamentar está detida na Itália, enquanto aguarda o andamento do processo de extradição.

“Peço que a Itália não mande Carla Zambelli de volta ao Brasil, pois lá ela poderá morrer na cadeia injustamente”, declarou Flávio, que viajou com uma comitiva de parlamentares para visitar a deputada no presídio em que está detida.

Eduardo Bolsonaro e Tagliaferro

Flávio também mencionou o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo ele, estaria “exilado nos Estados Unidos com sua família” por temer represálias. O senador argumentou que há perseguição política no Brasil, e que tanto Zambelli quanto Tagliaferro buscaram abrigo na Itália por se sentirem mais seguros fora do país.

Eduardo Tagliaferro é acusado de ter vazado informações do gabinete de Alexandre de Moraes quando o ministro presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele também está na Itália e integra a lista de pedidos de extradição enviados pelo Brasil.

“O Brasil, com a esquerda no poder, perdeu a sua soberania. A China está comprando o Brasil inteiro. Mas nós, da direita, vamos lutar para que a nossa bandeira, verde e amarela, nunca se torne a vermelha do comunismo”, concluiu o senador.

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