Cortejo fúnebre é interrompido após PM usar spray de pimenta contra amigos do morto

Uma ação da Polícia Militar durante um cortejo fúnebre de motociclistas causou revolta em Botelhos (MG). Vídeos enviados por moradores mostram o momento em que um policial, de dentro de uma viatura, lança spray de pimenta contra participantes da homenagem, que seguiam um carro funerário em baixa velocidade na última terça-feira (16).

O cortejo era em memória de Raphael Giacon Ramos de Souza, de 18 anos, conhecido como “Faelzinho”. Ele morreu no último domingo (14), em Serra Negra (SP), após a moto em que estava ser atingida por um carro. Segundo a polícia paulista, o motorista do veículo não tinha habilitação e apresentava sinais de embriaguez.

A homenagem foi organizada por amigos e familiares em Botelhos, cidade natal do jovem, que era apaixonado por motocicletas. Após o velório em uma igreja no Centro, o grupo acompanhou o carro funerário até o cemitério. No trajeto, ao passarem em frente ao quartel da PM, uma viatura passou a acompanhar os motociclistas. Em determinado momento, um policial que estava no banco de trás da viatura acionou o spray de pimenta, provocando correria.

Familiares e amigos afirmam que a homenagem foi pacífica e que não houve qualquer orientação da PM para dispersão ou redução do barulho antes da ação.

Em nota, a Polícia Militar informou que a guarnição fazia patrulhamento quando ouviu motocicletas realizando o chamado “corte de giro” e que não tinha conhecimento de que se tratava de um cortejo fúnebre, pois o evento não foi comunicado previamente. A corporação confirmou o uso do spray de pimenta, classificado como equipamento de menor potencial ofensivo, e disse que instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso.

A Prefeitura de Botelhos também se manifestou, informando que o prefeito Felipe Begalli e o presidente da Câmara Municipal, Marcus Vinicius, se reuniram nesta quarta-feira (17) com o capitão da PM para tratar do episódio. Segundo a administração municipal, a corporação garantiu que não haverá impunidade e que apresentará um parecer sobre as medidas adotadas no prazo de 15 dias.

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