O caso dos quatro amigos desaparecidos em Icaraíma, no interior do Paraná, ganhou novas revelações após entrevista exclusiva do advogado Éder Cordeiro Azevedo, representante da família de Alencar Gonçalves de Souza, ao jornalista Nader Khalil. Alencar é o único desaparecido que é morador da cidade e a família ainda não havia falado com a imprensa. O relato traz informações inéditas sobre o caso que mobiliza autoridades e famílias desde o início de agosto.
Dívida e negociação frustrada
Segundo o advogado, Alencar havia tentado comprar um sítio na região, pagando uma entrada de R$ 255 mil. No entanto, a negociação não foi concluída e ficou acordado que o valor seria devolvido em 10 parcelas, o que não aconteceu. A família suspeita que o imóvel e a simples origem rural e modesta de Alencar possam ter influenciado a retenção do dinheiro pela família Buscariollo, embora o advogado não afirme categoricamente o motivo.
Diego Raphael e Robishley foram indicados por um amigo e seguiram com Alencar até o Paraná para cobrar a dívida. No dia 5 de agosto, os quatro amigos foram vistos tomando café em uma padaria de Icaraíma antes de se dirigirem ao pesqueiro, local da negociação final com o pai e o filho Buscariollo.
Alencar chegou a se comunicar com a esposa via WhatsApp às 12h04, afirmando: “graças a Deus, deu certo”. Depois dessa mensagem, nenhum outro contato foi registrado nos celulares de Alencar ou dos amigos, e não há sinal de telefonia na região onde o carro foi encontrado nem no sítio. O advogado acredita que a mensagem pode ter sido enviada por outra pessoa, sem afirmar quem.
Caminhonete “plantada” e suspeita de cativeiro
Apesar da polícia tratar o caso como homicídio, a família acredita que os quatro amigos estejam vivos e mantidos em cativeiro. Meire Souza, esposa de Rafael Juliano Marascalchi, afirmou ao programa Alô Você (SBT) que o veículo das vítimas, encontrado enterrado em um bunker, teria sido “plantado” no local para simular a morte dos homens.
“Meu investigador foi lá ver o carro. O carro não está lá há 40 dias. Eles estão em um cativeiro. Não tem buraco”, disse Meire, que representa as famílias dos desaparecidos. Segundo ela, os criminosos inicialmente planejavam pedir resgate, mas o plano pode ter saído do controle.
Pessoa influente atrapalhando as investigações
A família também acusou uma pessoa influente na região de estar interferindo nas investigações e ajudando a família Buscariollo, suspeita de envolvimento no desaparecimento. Meire não revelou o nome, mas alertou que, se as interferências continuarem, medidas mais drásticas serão tomadas.
“Se ela continuar atrapalhando a investigação, vamos dar nome e sobrenome. Nós também somos perigosos. Temos família grande em São Paulo e estamos dispostos a ir até o fim para encontrar nossos maridos”, declarou.
Cidade pequena e clima de medo
Icaraíma tem cerca de 10 mil habitantes, e, segundo o advogado, muitos moradores da região têm medo dos Buscariollo por atos praticados localmente, incluindo envolvimento em homicídios. A família continua acompanhando cada passo do caso e exige respostas das autoridades.
O caso segue sob investigação, com buscas e análises de evidências pela polícia, enquanto os dois principais suspeitos permanecem foragidos.


