O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez nesta quarta-feira (18) um duro discurso no plenário contra a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sem citar diretamente o nome do parlamentar. O senador também criticou a postura do governo federal, que tem explorado o episódio em meio à polarização política.
“Não dá para eu ver, todos os dias, um deputado federal do Brasil, eleito pelo povo de São Paulo, lá nos Estados Unidos, instigando um país contra o meu país”, afirmou Alcolumbre.
A referência foi a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em Washington pedindo sanções do governo americano contra o Brasil, em reação à condenação de seu pai a 27 anos de prisão pelo processo da trama golpista.
Alcolumbre disse que o deputado espalha a versão de que Donald Trump poderia impor novas tarifas e medidas contra autoridades brasileiras, o Parlamento, o Judiciário e o Executivo. “Fica um nos Estados Unidos, dizendo que o residente dos Estados Unidos vai enviar novas sanções ao Brasil, cobrando e atrapalhando o país”, criticou.
O presidente do Senado também rebateu o discurso do governo federal, que tem reagido ao movimento de Eduardo com um tom nacionalista. “Como é cômodo agredir e dizer que o Brasil é dos brasileiros”, ironizou, em referência ao slogan usado por aliados do presidente Lula.
A fala de Alcolumbre ocorre após críticas feitas pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que o acusou de se ausentar do comando do Senado e não pautar pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O presidente da Casa justificou sua ausência em nota, afirmando que esteve afastado por problemas estomacais.
“Não dá, com todo o respeito, para eu aceitar todas essas agressões calado. Então, eu vou me organizar, agora, para começar a responder a todos os questionamentos, a todas as perguntas, à altura, com muito respeito, com muita maturidade, porque, se isso for certo, amigo, eu não sei mais o que é certo”, declarou.
Outro ponto abordado foi a cobrança do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para que Eduardo Bueno, o escritor “Peninha”, fosse desligado do Conselho Editorial do Senado após publicar um vídeo comemorando o assassinato do ativista americano Charlie Kirk. Alcolumbre afirmou que já havia solicitado ao presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que afastasse Bueno, o que foi feito.
Essa foi a segunda vez em um mês que o presidente do Senado desabafou publicamente sobre a pressão da polarização política. No fim de agosto, ele afirmou que tanto ele quanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-AP), estavam “esmagados” pelas cobranças para escolher um lado.


