Poderíamos viver sem os mosquitos? Entomólogo explica papel deles na natureza


Segundo especialista, grupo serve de alimento para libélulas, besouros, peixes e outras espécies de animais. Veja principais doenças associadas a eles. Sabethes chloropterus, vetor de febre amarela
Cheryl Harleston López Espino / iNaturalist
Ao tomar uma picada de mosquito, logo alguns pensamentos surgem em nossa mente: por que eles existem? Qual é a função desses insetos na natureza? Poderíamos simplesmente viver sem eles? Existiriam prejuízos ao meio ambiente?
Para o entomólogo (biólogo especialista em insetos) Bruno Magalhães Nakazato, os mosquitos, assim como qualquer outro ser vivo, fazem parte de uma longa cadeia ecológica e alimentar. Isso significa que outras espécies predadoras dependem desse grupo para se alimentarem e sobreviverem.
“Outras espécies predadoras e/ou oportunistas vão se alimentar, principalmente das fases imaturas (e aquáticas) dos mosquitos, conhecidas como larvas e pupas. Além disso, muitas aranhas se alimentam de mosquitos adultos e alados”, explica Bruno.
“Então, larvas de libélulas, larvas aquáticas de várias espécies de besouros, filhotes (alevinos) de peixes, até mesmo outras larvas de mosquitos que são predadoras e muito vorazes como as de Toxorhynchites, de Psorophora, dependem desse grupo para se alimentarem, completarem o ciclo de desenvolvimento e sobreviverem.
No mundo, existem 3.719 espécies válidas de mosquitos da família Culicidae, distribuídas em duas subfamílias: Anophelinae, com três gêneros e Culicinae, com 38 gêneros. Já no Brasil, são 540 espécies distribuídas em 23 gêneros.
São eles: Anopheles, Chagasia, Aedeomyia, Aedes, Haemagogus, Psorophora, Culex, Deinocerites, Lutzia, Conquillettidia, Mansonia, Orthopodomyia, Isostomyia, Johnbelkinia, Limatus, Onirion, Runchomyia, Sabethes, Shannoniana, Trichoprosopon, Wyeomyia, Toxorhynchites e Uranotaenia.
Na visão dele, os humanos poderiam viver sem os mosquitos, no entanto, o prejuízo seria aos animais que dependem deles para se alimentar. “É praticamente impossível que isso aconteça, sobretudo nas atuais alterações climáticas em que estamos vivendo”, finaliza.
Larvas de Anopheles cruzii, vetor de malária extra-amazônica
Walther Ishikawa / iNaturalist
Incômodos e transmissores de doenças
De acordo com o entomólogo, as principais espécies de mosquitos vetores da família Culicidae no Brasil são: Anopheles darlingi e Anopheles cruzii, vetores de malária amazônica e extra-amazônica (malária de bromélia), respectivamente.
Há outras espécies de mosquitos do gênero Anopheles que são vetores secundários de Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax, principais espécies causadoras da malária. Mesmo havendo vários trabalhos apontando o Aedes albopictus como potencial vetor, o Aedes aegypti ainda é o principal transmissor dos vírus dengue, chikungunya e zika no Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 a malária foi responsável por quase 113 mil casos registrados. Para dengue, até o momento, foram mais de 1,5 milhões de casos, com 920 óbitos confirmados no país, sendo 57% do total na região Sudeste. Além disso, houve 142 mil casos, com 80 óbitos por chikungunya e 9,6 mil casos por vírus zika.
Além disso, espécies como Haemagogus janthinomys e Sabethes chloropterus, são considerados vetores primários do vírus da Febre Amarela, mas apenas vetores do ciclo silvestre da doença, já que tratam-se de mosquitos de floresta, ocorrendo, principalmente, no bioma Mata Atlântica.
Como curiosidade, há outras espécies de mosquitos que não são vetores de patógenos em humanos, mas são espécies que causam incomodo a nós, como: Culex quinquefasciatus (pernilongo) e, menos conhecidos, como Mansonia titillans, Mansonia pseudotitillans e Mansonia humeralis (mosquitos grandes, vorazes, de picada dolorida).
Haemagogus janthinomys, vetor de febre amarela
Douglas Eduardo Rocha / iNaturalist
Alimentação dos mosquitos
“A grande maioria dos mosquitos se alimentam de sangue, exceto um grupo de mosquitos grandes do gênero Toxorhynchites, cujas fêmeas se alimentam exclusivamente de néctar e seiva de flores e plantas”.
“As fêmeas das demais espécies, necessitam de sangue para maturação dos embriões e também tiram energia dessa dieta para elas próprias”, diz Bruno Nakazato.
Ele comenta que o sangue possui grupos de aminoácidos e proteínas necessários ao ciclo reprodutivo e de desenvolvimento dos embriões, ainda dentro das fêmeas. Em último caso, na escassez total dessa fonte de alimento, elas podem ingerir néctar e seiva como último recurso para sobrevivência.
VÍDEOS: Destaques Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
Adicionar aos favoritos o Link permanente.