Júri de mãe e filho acusados de mortes após briga de trânsito chega ao segundo dia em Porto Alegre


Crime ocorreu em 2020, matando casal e filho após desentendimento. Testemunhas e réus foram ouvidos no primeiro dia. Conselho de Sentença será formado por sete pessoas. Réu pelos crimes, Dionathá foi ouvido no primeiro dia de julgamento pelas mortes de família em Porto Alegre
Juliano Verardi/TJ-RS
O segundo dia de julgamento de mãe e filho pela morte de três pessoas de uma mesma família em Porto Alegre começa nesta terça-feira (12), às 8h, no Foro Central.
No primeiro dia, foram ouvidas as testemunhas e os dois réus. O primeiro a ser ouvido foi Dionathá Bitencourt Vidaletti, que está preso desde 29 de janeiro de 2020 e responde por três homicídios triplamente qualificados (motivo fútil, perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas) e por porte de arma.
Depois, foi ouvida a mãe dele, Neuza Regina Bitencourt Vidaletti, outra acusada, que responde em liberdade e deve ser julgada por disparo de arma de fogo.
Advogado dos réus, Cristiano da Rosa observou que os depoimentos foram “esclarecedores”. “Existem elementos para convencer o conselho de sentença de que o réu não matou por raiva ou vingança, mas sim, no intuito de proteger sua mãe”, diz.
Julgamento do crime que aconteceu no Lami, em Porto Alegre, começou nesta segunda (1).
Tribunal de Justiça-RS
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As vítimas são Fabiana da Silveira Innocente Silva, de 44 anos, o marido dela, Rafael Zanetti Silva, de 46 anos, e o filho do casal, Gabriel da Silveira Innocente Silva, de 20 anos. Segundo as investigações, Dionathá matou a família após uma briga de trânsito na Estrada do Varejão, no bairro Lami, na Zona Sul da Capital.
A testemunha de acusação, ouvida pelo Tribunal do Júri, nesta tarde, rememorou a cena que viu na época do crime e descreveu a posição das vítimas. De acordo com ela, o primeiro alvo dos disparos teria sido Fabiana.
Família é morta no bairro Lami, na Zona Sul de Porto Alegre.
Reprodução/TV Globo
Áudio mostra ligação e tiros
Um áudio reproduzido durante a sessão do júri mostra a ligação de uma das vítimas do triplo assassinato ocorrido no Lami, em Porto Alegre, em 2020. Mãe e filho são réus pelo crime (saiba mais abaixo).
No áudio, é possível ouvir Fabiana da Silveira Innocente Silva, de 44 anos, tentando pedir ajuda para a polícia. “Quero falar uma emergência. Eu tô na estrada do Lami. Tem uma velha me apontando uma arma. Tem uma criança dentro do meu carro”, diz. Ouça abaixo.
Em seguida, o policial que a atende diz que vai desligar, pois não consegue ouvir o que diz a mulher. Logo após, é possível ouvir o som dos tiros.
A reprodução do áudio ocorreu enquanto o defensor da família, advogado Cristiano da Rosa, inqueria o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, que investigou o caso. O delegado confirmou que se tratavam do som de seis tiros.
Ouça áudio de uma das vítimas de triplo homicídio ocorrido em 2020 para a Polícia
O júri
O Conselho de Sentença será formado por sete pessoas. Serão ouvidas cinco testemunhas de acusação e uma testemunha de defesa.
Depois disso, os réus serão interrogados. Eles podem ficar em silêncio ou não responder às perguntas da acusação, se assim desejarem.
Em seguida, começarão os debates, quando defesa e acusação apresentam suas teses aos jurados. Essa fase deve durar cerca de 9 horas, com 2h30min para as falas iniciais de cada uma das partes e, se necessário, mais 2 horas para réplica e tréplica.
Ao longo da sessão, atua na acusação a Promotora de Justiça Lúcia de Lima Callegari, enquanto na defesa está o advogado Cristiano da Rosa. O julgamento, presidido pela Juíza de Direito Anna Alice Schuh, tem previsão de dois de dias de duração.
Encerrados os debates, os jurados decidem seus votos.
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Relembre o caso
De acordo com a denúncia do Ministério Público do RS (MPRS), as três vítimas voltavam de um aniversário quando o carro em que estavam bateu na lateral do veículo de Dionathá, que estava estacionado na rua. Dionathá e Neuza passaram, então, a perseguir o carro dirigido por Rafael e o fizeram parar no acostamento de uma estrada.
Após a discussão, Rafael, Fabiana e Gabriel foram atingidos por disparos de arma de fogo efetuados por Dionathá. Os três morreram no local. Uma jovem e uma criança, que estavam dentro do carro da família, não se feriram. O crime aconteceu em 26 de janeiro de 2020, no bairro Lami, Zona Sul de Porto Alegre.
Segundo os relatos da namorada de Gabriel, que estava no veículo com a família, a mãe do suspeito ainda tentou acalmá-lo, mas ele a empurrou e atirou contra a família.
Na época, ela relatou que Fabiana ligou para o 190 e começou a gritar que estava ligando, informando que havia uma criança no carro. “Acho que isso deixou ele com mais raiva”, relembrou a jovem. “Eles estavam todos juntos, foram vários tiros. Foi tudo junto. O Rafael foi o o primeiro que vi cair, o último foi o Gabriel”, disse.
Conforme o Ministério Público, Neuza também portava uma arma e teria dado um tiro sem direção certa durante a discussão.
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