Quem é Julian Assange e o que é Wikileaks? Entenda a polêmica que envolve vazamento de documentos secretos dos EUA

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange faz acordo com EUA e deixa prisão no Reino Unido
Um acordo tirou da prisão o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na segunda-feira (24). Ele é acusado de vazar milhares de documentos confidenciais dos Estados Unidos e estava preso desde 2019 no Reino Unido.
Assange tem 52 anos e nasceu na Austrália. Durante a adolescência, começou a ficar conhecido por suas capacidades em programação computacional.
Em 1995, ele enfrentou seu primeiro problema judicial: foi multado por um tribunal australiano por crimes cibernéticos. À época, o jovem Assange só não foi para a cadeia por prometer que não cometeria novas infrações.
Segundo as acusações, ele e um amigo eram hackers e cometeram uma série de infrações. Assange acabou sendo multado e liberado.
Ainda no fim da década de 1990, foi coautor do livro “Underground: Tales of Hacking, Madness and Obsession on the Electronic Frontier”, lançado com a pesquisadora e jornalista Suelette Dreyfus. Ele também foi para a Universidade de Melbourne, onde estudou matemática e física.
O que é o WikiLeaks?
O “WikiLeaks” surgiu em 2006 como uma ferramenta digital onde documentos secretos pudessem ser vazados. A técnica usada é conhecida como “dead letter box”, que é um método de espionagem. O grupo era composto por ativistas, que recebiam materiais sigilosos.
Apesar de ter surgido em 2006, o WikiLeaks só ficou famoso em 2010, quando publicou um vídeo sigiloso que mostrava um ataque de helicóptero dos Estados Unidos no Iraque. O ataque em questão aconteceu em 2007 e deixou 12 mortos.
Ainda em 2010, a rede divulgou cerca de 490 mil documentos militares dos Estados Unidos sofre as guerras no Iraque e Afeganistão. Os arquivos eram considerados como classificados, ou até mesmo secretos.
Entre os vazamentos estavam vídeos exibiam assassinatos de civis, jornalistas, além de abusos cometidos por autoridades dos EUA e outros países.
Com o sucesso do grupo, Assange deixou de ter endereço fixo e passou a administrar a plataforma de lugares diferentes.
“Para manter nossas fontes seguras, tivemos que espalhar recursos, criptografar tudo e mudar telecomunicações e pessoas ao redor do mundo para ativar leis de proteção em diferentes jurisdições nacionais”, disse Assange à BBC, em 2011.
A divulgação dos documentos classificados se tornou, à época, a maior brecha na segurança militar dos Estados Unidos já registrada e irritaram políticos e oficiais norte-americanos.
As autoridades chegaram a afirmar que os vazamentos colocavam vidas em risco, já que revelava identidades de pessoas que cooperavam com os militares norte-americanos no Oriente Médio.
Em 2016, o WikiLeaks ganhou novamente os holofotes ao vazar milhares de e-mails do responsável pela campanha presidencial de Hillary Clinton à Casa Branca. Mais tarde um relatório do Senado dos EUA apontou que a Rússia usou o grupo para ajudar a eleger Donald Trump.
A Rússia nega a acusação, enquanto Trump chamou o relatório de “farsa”.
Prisão e ajuda do Equador
O fundador do WikiLeaks acabou sendo preso pela primeira vez em 2010, no Reino Unido, após ser acusado de abuso sexual contra duas voluntárias suecas do WikiLeaks.
Assange negou as acusações e disse que o caso era um pretexto para que ele fosse extraditado aos Estados Unidos, onde seria responsabilizado pelos vazamentos de documentos secretos.
Em 2012, a Justiça do Reino Unido determinou que ele fosse enviado para a Suécia, onde passaria por um interrogatório. Após ter um recurso negado pela Suprema Corte, Assange entrou na embaixada do Equador em Londres, onde ficou asilado por 7 anos.
Durante o tempo em que esteve na embaixada, Assange teve dois filhos com a advogada e defensora dos direitos humanos Stella Moris. Ele também recebeu a visita de celebridades, como a cantora Lady Gaga e a atriz Pamela Anderson.
Em 2019, com a mudança de governo no Equador, Assange foi obrigado a deixar a embaixada em Londres. Ele acabou sendo preso dentro do edifício pela polícia britânica.
Assange foi condenado a 50 semanas de prisão por violar as condições estabelecidas pela Justiça ao conceder fiança para que ele respondesse às acusações de abuso sexual. As acusações acabaram sendo arquivadas.
Briga com os EUA e acordo
Ainda em 2019, o Reino Unido recebeu um pedido dos Estados Unidos para que Assange fosse extraditado. O objetivo seria fazer com que ele respondesse em solo norte-americano a 18 acusações de conspiração, crimes cibernéticos e violação de leis de espionagem.
Após o fim da sentença de 50 semanas de prisão impostas pelo caso na Suécia, o fundador do WikiLeaks permaneceu detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh, onde aguardou por audiências de extradição.
Em 2021, um juiz britânico decidiu que Assange não deveria ser extraditado. A alegação da Justiça era a de que Assange estava enfrentando problemas de saúde mental, com risco de suicídio.
As autoridades dos EUA ganharam um recurso em dezembro de 2021, depois de oferecerem permitir que Assange cumprisse qualquer sentença na Austrália, se condenado.
A extradição de Assange foi aprovada em 2022. Em fevereiro deste ano, a defesa do australiano protocolou um último recurso, argumentando que o caso era um ataque à liberdade de expressão e ao jornalismo. Além disso, a defesa disse que ele poderia enfrentar a pena de morte se condenado.
A Suprema Corte do Reino Unido determinou que os Estados Unidos dessem garantias de que Assange não seria condenado à morte.
Por fim, os Estados Unidos chegaram a um acordo com Assange. O fundador do WikiLeaks se declarará culpado em um tribunal dos EUA das Ilhas Marianas do Norte de uma única acusação criminal.
Na audiência, o fundador do WikiLeaks deve ser sentenciado a 62 meses de prisão, tempo que ele já cumpriu no Reino Unido. Após se declarar culpado e passar pela audiência, Assange estará oficialmente liberado. A expectativa é que ele volte para a Austrália.
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