‘Foi como ganhar na loteria’: pesquisador encontra ave rara pela 1ª vez em SC

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Durante um trabalho de campo, o pesquisador Mateus Ribas teve um encontro surpreendente com uma ave rara, o Papa-Lagarta-de-Bico-Preto (Coccyzus erythropthalmus). Essa foi a primeira vez que a espécie exótica foi avistada em Santa Catarina e apenas o quinto registro histórico em todo o Brasil.

Foi a primeira vez que a espécie rara foi avistada em Santa Catarina – Foto: Débora Malu Marquato/UFSC/Divulgação/ND

Doutorando em Farmácia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a pesquisa de Ribas é focada no impacto das ações humanas no entorno da Lagoa da Conceição na saúde humana, animal e ambiental. E essa pesquisa levou-o a encontrar a ave durante um trabalho de campo realizado no final de novembro, logo após intensas chuvas no Estado.

O Papa-Lagarta-de-Bico-Preto é reconhecido por sua plumagem predominantemente marrom, ventre branco e uma distintiva listra vermelha ao redor dos olhos dos adultos. Apesar de raramente avistado no Brasil, não é considerado uma espécie ameaçada.

“Sua capacidade de se adaptar a diferentes ambientes e sua ampla distribuição contribuem para a sua relativa estabilidade populacional na América do Norte”, comenta o pesquisador.

Essa ave migratória realiza seu processo de nidificação no Canadá e nos Estados Unidos, passando o inverno na região noroeste e centro-oeste-central da América do Sul.

No entanto, os registros dessa espécie no Brasil são escassos e categorizados como incidentais, levando Mateus Ribas a enfatizar a necessidade de mais pesquisas para entender o padrão de migração dessa espécie no território brasileiro.

Mateus se deparou com a ave rara durante trabalho de campo realizado no fim de novembro – Foto: Débora Malu Marquato/UFSC/Divulgação/ND

Encontro inesperado com ave rara

O trabalho de campo do pesquisador durou um ano, utilizando quatro redes-de-neblinas instaladas no Parque Municipal Natural das Dunas da Lagoa da Conceição e no Parque Estadual do Rio Vermelho. Estas redes finas de nylon eram instaladas pouco antes do amanhecer e permaneciam por cerca de seis horas, sendo checadas a cada 15 ou 20 minutos para verificar se alguma ave havia sido capturada.

Foi durante uma dessas vistorias que a equipe avistou a ave emaranhada nos bolsões da rede. “De longe parecia um Sabiá-Poca, uma das aves mais comuns que capturávamos em campo. Quando íamos nos aproximando vimos que não era um sabiá, mas sim um Papa-Lagarta”, relembra o pesquisador. A equipe, que já brincava sobre a possibilidade de capturar uma ave rara, ficou extasiada com a descoberta.

Ele descreveu o encontro como ganhar na loteria, já que o registro é somente o quinto em todo o país – Foto: Débora Malu Marquato/UFSC/Divulgação/ND

Após a captura, a ave foi identificada como um indivíduo jovem de Papa-Lagarta-de-Bico-Preto. Todos os procedimentos padrões foram realizados para retirar a ave da rede-de-neblina, com a colaboração do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica catarinense. O material biológico foi coletado, o animal foi anilhado e, em seguida, devolvido à natureza para continuar seu ciclo migratório.

Essa descoberta, a penúltima capturada como parte do projeto de Mateus Ribas, coroou o ano de estudo. “Tivemos capturas interessantes nas dunas ao longo do ano, mas nada comparado com a captura do Papa-Lagarta-de-Bico-Preto. A cada ida a campo, eu e a equipe brincávamos – ‘Se preparem que hoje vai cair na rede-de-neblina uma ave rara’ –, mas isso foi acontecer somente nos 45 minutos do segundo tempo”, brinca o pesquisador.

O estudo ocorre no Parque Municipal Natural das Dunas da Lagoa da Conceição e também no Parque Estadual do Rio Vermelho – Foto: Débora Malu Marquato/UFSC/Divulgação/ND

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