Cientistas do RS criam coral de proveta para repovoar áreas de recifes destruídas


Cientistas reproduzem os corais por criogenia, e experimentos mostram que material gerado consegue reconstituir corais de recifes em grande escala. Continuidade da pesquisa depende de financiamento. Aquecimento das águas oceânicas provocou a redução do número de corais
Reprodução/TV Globo
Um grupo de cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) criou o primeiro coral de proveta do país. O objetivo é multiplicar a espécie e colaborar com o repovoamento de recifes que foram destruídos ao longo dos anos, devido ao aumento da temperatura dos oceanos.
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As colônias de corais são coletadas de Porto Seguro, no Litoral Sul da Bahia, e levadas ao laboratório. A retirada ocorre quando a reprodução da espécie hermafrodita, que produz tanto óvulos quanto espermatozóides, acontece.
A reprodução acontece por criogenia. Os espermatozóides são congelados em um tubo de nitrogênio, a uma temperatura de quase 200ºC abaixo de zero.
“Uma vez que eu desenvolvo um protocolo com sucesso, consigo pegar por exemplo aquele espermatozoide, colocar em nitrogênio líquido, ele fica como se estivesse paralisado no tempo”, explica o pesquisador Leandro de Godoy.
“É como se o tempo não passasse. Então, não importa se passou um ano, 10 anos, 50 anos, 100 anos, quando eu descongelar esse material, ele vai estar vivo, perfeito, pra fecundar, pra gerar uma nova vida e eu poder utilizar isso como uma ferramenta de restauração de um ambiente que foi degradado”, diz.
Após os descongelamento, as análises mostraram que 84%, cerca de 2 bilhões de espermatozóides, estavam viáveis para a inseminação artificial. É o suficiente para repovoar um recife do tamanho de 606 campos de futebol.
O processo de fecundação foi concluído pela primeira vez em laboratório há dois anos. Os cientistas agora acompanham o desenvolvimento dos corais em ambiente controlado para garantir o sucesso da reintrodução.
Aquecimento ameaça recifes
O avanço do estudo ainda depende de financiamento para a próxima fase. Segundo os pesquisadores, metade de algumas espécies de recifes de corais do planeta morreu na última década devido ao aquecimento das águas dos oceanos.
A bióloga Janaína Bumbeer explica que os recifes são um dos ecossistemas mais diversos do mundo, que abrigam 25% de toda a biodiversidade.
“As projeções demonstram que nas próximas duas, três décadas nós podemos perder todos os outros recifes que ainda existem”, alerta.
“Então isso ainda é em pouco tempo. Então, realmente não temos tempo a perder, a esperar. Sinda temos uma última chance de agir em prol dos recifes de coral e tentar reverter essa situação”, explica.
Antes da experiência no Brasil, corais de proveta já haviam sido reproduzidos por cientistas do Havaí, México e Taiwan.
Processo de criogenia, ou seja, congelamento a temperaturas extremas, é usada na pesquisa para conservar os corais
Reprodução/TV Globo
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