Cientistas gaúchos criam em laboratório o primeiro coral de proveta do Brasil


A pesquisa pode ajudar no repovoamento das áreas de recifes que foram destruídas na última década. Cientistas gaúchos criam em laboratório o primeiro coral de proveta do Brasil
Reprodução/TV Globo
Cientistas criaram em laboratório o primeiro coral de proveta do Brasil.
A coleta de material começou em 2019 nesta área de porto seguro, no litoral sul da Bahia. Os pesquisadores retiram as colônias de corais entre setembro e novembro, em dias de lua nova.
É quando ocorre a reprodução da espécie hermafrodita que produz em um mesmo pacote os óvulos e espermatozoides levados para a base de pesquisa.
“As colonias ficam no laboratório, num tanque com recirculação de água e daí ela já libera o pacotinho dentro do tanque. A gente coleta o pacotinho na superfície e a partir dali a gente tem o material biológico pra trabalhar”, diz Leandro de Godoy, coordenador da pesquisa ou zootecnista da UFRGS.
“Pra gerar os corais de proveta, os cientistas utilizam o processo”, diz xxxxxx.
Para gerar os corais de proveta, os cientistas utilizam o processo de criogenia. Os espermatozoides são congelados em um tubo de nitrogênio a uma temperatura de quase duzentos graus abaixo de zero em um laboratório da universidade federal do Rio Grande do Sul.
“Uma vez que eu desenvolvo um protocolo com sucesso, consigo pegar, por exemplo, aquele espermatozoide, colocar em nitrogênio líquido, ele fica como se estivesse paralisado no tempo, é como se o tempo não passasse. Quando eu descongelar esse material ele vai estar vivo, perfeito, para fecundar, para gerar uma nova vida e eu poder utilizar isso como uma ferramenta de restauração de um ambiente que foi degradado”, explica.
Após o descongelamento, as análises mostraram que 84%, dois bilhões de espermatozoides, estavam viáveis para inseminação artificial. Um banco de sêmen suficiente para repovoar um recife com o tamanho de 606 campos de futebol.
Cientistas gaúchos criam em laboratório o primeiro coral de proveta do Brasil
Reprodução/TV Globo
O processo de fecundação foi concluído pela primeira vez em laboratório há dois anos. Agora, os cientistas acompanham o desenvolvimento dos corais em ambiente controlado para garantir o sucesso da reintrodução deles em uma área de recifes degradados.
O avanço do estudo, que ainda depende de financiamento para a próxima fase, é uma corrida contra o tempo. Segundo os pesquisadores, metade de algumas espécies de recifes de corais do planeta morreu na última década por causa do aquecimento das águas dos oceanos.
“É um ecossistema dos mais diversos do mundo que abriga cerca de 25% de toda a biodiversidade. As projeções demonstram também que nas próximas duas, três décadas nós podemos perder todos os outros recifes que ainda existem. Então, isso ainda é em pouco tempo. Então, realmente não temos tempo a perder, a esperar. Ainda temos uma última chance de agir em prol dos recifes de coral e tentar reverter essa situação”, diz Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário.
Antes do Brasil, cientistas do Havaí, México e Taiwan já reproduziram corais de proveta.
“A gente salva uma vida que monta todo um ecossistema e, em cadeia, vem contribuindo até chegar a gente, impacta a nossa vida e impacta a vida de todas as espécies do planeta”, diz Nayara Cruz, pesquisadora.
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