Aumento do contrabando de pneus representa risco para a segurança de quem compra


A técnica chamada “bola de pneus” é usada pelo mercado ilegal para importar clandestinamente para o Brasil esses produtos vindos da Bolívia e, principalmente, do Paraguai.
Contrabando ilegal de pneus do Paraguai para o Brasil aumentou 20% neste ano
Reprodução/TV Globo
O aumento do contrabando de pneus representou também um risco para a segurança de quem compra.
O que deveria estar intacto surge deformado, cheio de ondulações. Não parece, mas os pneus mostrados na reportagem são novos. Eles ficaram deformados por causa do transporte. Foram colocados uns dentro dos outros.
A grande maioria produzida na China e enviada antes para outros países na América do Sul.
A técnica chamada “bola de pneus” é usada pelo mercado ilegal para importar clandestinamente para o Brasil esses produtos vindos da Bolívia e, principalmente, do Paraguai.
Dessa maneira, os contrabandistas conseguem trazer em uma única viagem até cinco vezes mais pneus.
A maior parte do contrabando e descaminho de pneus passa pelas fronteiras com Mato Grosso do Sul e chega a estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Segundo o diretor da Agência de Metrologia de Mato Grosso do Sul, vinculada ao Inmetro, pneus nessas condições colocam em risco a segurança de motoristas e pedestres.
“Geralmente, esses pneus que vêm de fora não tem o certificado do Inmetro, ok? Esses pneus amassados são os pneus que já comprometeram seus níveis de segurança. Vem um dentro do outro. Colocam um, dois, três, quatro dentro do outro. Têm aquele aço por dentro —o radial—, e aquilo pode se quebrar. O pneu pode deformar. E você colocar no seu veículo depois você pode correr um risco de ter um acidente por um pneu com uma certa deformidade”, diz Marcos Derzi.
Com autorização da Justiça, a Receita Federal e a Polícia Federal fizeram uma operação em Campo Grande e apreenderam cerca de 5.000 pneus de uma vez.
Até o começo de novembro, a Receita tinha retido cargas de pneus avaliadas em mais de R$ 12 milhões. Quase o mesmo volume do ano passado inteiro.
“Primeiro: é o não recolhimento dos tributos devidos da importação. Segundo: esses produtos entram num valor muito abaixo de um produto nacional. Então, é uma competição desleal com o produto nacional que recolhe todos os seus tributos devidos para a União, estados e municípios. Então, a indústria nacional sofre toda essa carga tributária enquanto o produto que entra ilegalmente não tem o pagamento desses tributos”, diz o delegado da Receita Federal Zumilson Custódio.
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